Se escolheres Portugal, cuida dele

Se escolheres Portugal, cuida dele

A pandemia levou e está a levar muitas famílias e empresas a uma alteração forçada de diversos aspetos que, outrora, pareciam banais, mas que são essenciais ao impedimento da proliferação do vírus. Algumas das áreas em que essas alterações são mais evidentes são o turismo e a restauração. Estas são áreas das quais a riqueza produzida no país depende muito. Portugal bem se pode orgulhar de ser um país pequeno e, ainda assim, tremendamente diverso e com imensas opções turísticas. Há de tudo!


Algumas restrições à circulação de pessoas, fronteiras fechadas, obrigatoriedade de testes, entre outras razões, deram força aos muitos turistas portugueses que aproveitaram este ano para fazer férias no nosso país. Particularmente, um destino turístico tem-se destacado tremendamente: o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Esta zona representa uma área muito grande de património natural, histórico e cultural. Têm sido cada vez mais usuais as visitas, principalmente de jovens, às lagoas e cascatas tão características da zona, sinónimo de pureza e beleza naturais quase sem paralelo. O Parque e o turismo rural estão na moda e é um “paraíso” tão perto de nós. Além do mais, são evitadas as muitas multidões das praias, piscinas e parques aquáticos, algo fortemente aconselhado pelas DGS. Como não aproveitar?


Porém, como em tudo na vida, é preciso que ninguém se esqueça de que espaços como este são unicamente ricos, mas muito sensíveis às alterações climáticas, que nos assolam e assolarão cada vez mais, se nada for feito. Todos os anos, Portugal tem problemas gravíssimos com os incêndios, podendo estes ser causados pela própria natureza, pelo (des)ordenamento do território ou por pouco cuidado das pessoas, no que toca a beatas e lixos, principalmente plásticos, que estão em quase tudo o que compramos. Aumentam os relatos de lixo indevidamente deixado nas lagoas, nas matas e nos parques, fazem-se ações de sensibilização aos turistas… Talvez seja preciso mais, como disponibilizar (ainda) mais ecopontos, caixotes e sinais de alerta nos diversos pontos mais visitados. Deixa-se a sugestão, claro…


Desengane-se, também, quem pensa que não há propagação do coronavírus, enquanto se está na montanha. Se dezenas ou centenas de pessoas estiverem à volta da mesma zona sem os cuidados básicos de distanciamento social e uso de máscara, é claro que há potencial, como em qualquer outro espaço.


Também a excessiva circulação automóvel é um problema novo. Os restaurantes, cafés e outros serviços do parque têm tido clientela como nunca, porém, como há cada vez mais trânsito nas estradas nacionais e nas vilas, a poluição do parque está a aumentar e, se nada for feito, problemas de ordem superior poderão surgir. Será que, com o passar do tempo, ter-se-á de impor restrições à circulação automóvel, à semelhança do Parque Natural da Arrábida? Oxalá não se tenha de chegar a esse ponto, mas poderá muito bem existir essa possibilidade, se os próximos verões continuarem a este ritmo.


Espaços como estes podem e devem ser usufruídos pelos turistas. Porém, como sempre, apela-se à moderação, ao cuidado e ao respeito pelos habitantes, pela natureza e pelos próprios turistas, porque a poluição também os afeta, obviamente. É sempre possível usufruirmos do melhor que cada destino turístico tem para nos dar, sem que o nosso impacto seja mais negativo do que positivo. Coisas básicas, como apanhar e reciclar lixo, poupar água, são imperativas e necessárias a um Portugal que se classifica e se quer como desenvolvido. Ainda por cima, para combatermos as alterações climáticas, tornar-se-á sucessivamente mais crítico que sejam tomadas medidas de consciencialização ambiental e que este assunto seja sobejamente ensinado e discutido, se não se quer perder habitats naturais, gastronomia de qualidade e a tipicidade das localidades, que são algumas das grandes marcas de Portugal como destino turístico.

 

Autor: Manuel Cruz

Revisto por: Mário Castro

Sobre o Autor:

Manuel Cruz, 21 anos, estudante de Economia.

Faço parte da Forall Family, como Shaper, desde maio de 2019 e sempre estive muito interessado nesta comunidade e nesta empresa. De momento, estou envolvido em diversos projetos da Forall Family, nomeadamente no nosso blog, focando os artigos de opinião em sustentabilidade. Adoro escrever e ler!

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